Primeira cena: a fé inoperante dos discípulos: Quando o pai menos esperava, estava lá novamente o menino se contorcendo todo. Quantas foram às vezes que se lançou ao fogo, cortou-se nos muros e pedras que se atirava. Seus olhos estavam cansados e desesperados de tanto ver seu filho espumando intensamente, rilhando seus dentes até a exaustão. Pai e filho estavam se definhando. A força e violência com que agia deixava muito claro que não era seu próprio filho, mas um espírito maligno que se apoderava dele para oprimi-lo de maneira terrível.
Sempre em busca de uma solução, percorria todo o tipo de novidade para pedir ajuda. Alguns homens discípulos de Cristo tentaram resolver, mas não tiveram sucesso. Os discípulos não tiveram fé para exercer a autoridade que já lhes havia sido delegada. Seriam mais tarde chamados por Jesus de “uma geração incrédula”. “Simplesmente impossível”, é o que concluiria qualquer um naquela situação. “Não tinha solução”, seria o pensamento comum. Havia uma multidão reunida discutindo com alguns mestres da lei. Jesus chega sem que esperassem, surpreendendo-os novamente. Ele havia acabado de descer do monte onde havia sido transfigurado e sua face ainda devia estar brilhando de maneira celestial. Correm para saudá-lo. Diferente de Moisés que, quando desceu do monte, havia encontrado o povo em idolatria sob os olhos de seu líder Arão (Exodo 32), Jesus encontrara seus discípulos incrédulos. Não chegaram ao ponto de adorar um bezerro de ouro, mas tinham uma fé inoperante.
Segunda cena: a fé vacilante do pai: Jesus percebe que estavam em um conflito intenso. Pergunta-lhes sobre o que estavam conversando. Aquele pai abatido e cansado dá um passo à frente e diz sobre o caso do seu filho. Relata que, desde pequeno, sofre desses súbitos ataques. Não precisou explicar muito, pois, logo que trouxeram o menino para Jesus, o espírito maligno imediatamente o sacudiu e ele espumou rolando pela terra. Apresenta seu filho a Jesus, mas, com seu coração incomodado por dúvidas e temores, diz: – “Se o senhor pode, então nos ajude. Tenha pena de nós”! Com essa colocação aquele pai duvidou em muito de Jesus. Sua intenção não foi de provocação, mas indicou sua dúvida se o mestre tinha competência para resolver aquele problema, se tinha autoridade sobre aqueles espíritos malignos, se tinha poder sobre aquela situação. Jesus posiciona-se com firmeza respondendo: – “Se eu posso? Tudo é possível para quem tem fé”. Percebendo que aquelas palavras estavam carregadas de autoridade, então o pai gritou: – “Eu tenho fé! Ajude-me a ter mais fé ainda”!
Que comportamento contraditório daquele pai: teve fé para levar seu filho a Jesus, mas tinha dúvidas em seu interior. O pai está confuso, pois crê, mas falta-lhe fé. Sabe que tudo pode mudar, mas pensa que tudo ficará como está. Fé e descrença ocupam a mesma mente e coração em uma tensão extenuante. Ao perceber sua posição vacilante, titubeante, instável, reagiu pedindo ajuda para si mesmo. Entendeu que para ajudar seu filho, ele mesmo precisava de ajuda. Precisava enxergar a vida com uma nova perspectiva de fé. Precisava ter uma experiência pessoal com Deus através de Cristo. Pediu a Jesus que o conduzisse a tal experiência de fé abrindo-lhe os olhos espirituais. Entendeu que sua fé era insuficiente para enfrentar a vida. Muito comum isso, não?
Terceira cena: a ação definitiva de Jesus: Mas a ação de Jesus não ficou limitada pela pequena fé, nem exigiu muito do pobre pai. O mestre compadeceu-se e libertou o menino. Havia percebido como aquele homem amava profundamente seu filho, pois nunca o tinha abandonado. Ah, que poder existe no amor de um pai. Percebeu também a sinceridade daquele pai ao rogar-lhe que aumentasse sua fé. Aquela oração foi incomum. Normalmente os mestres da lei apresentavam-se arrogantes e auto-suficientes, mas aquele pai reconheceu sua pobreza espiritual de fé.De maneira surpreendente aquela pequena expressão de fé foi suficiente à intervenção milagrosa. Houve uma humilde e consciente dependência de Deus. Isso bastou! Fé é essa clara consciência que somos finitos, limitados, insuficientes em nós mesmos e nossa única fonte de vida vem de Deus na pessoa de Jesus Cristo. De alguma forma aquele pai creu: “Jesus pode”. Seus olhos espirituais foram abertos. Aquela experiência de libertação de seu filho o levou além: “somente Jesus pode”.Médicos não puderam escribas não resolveram, discípulos falharam. Mas Jesus esteve lá presente e consertou sua história. Todos ficaram maravilhados com o grande poder de Deus (Lucas 9.43) que se operava através da vida de Jesus.
Assim também pode acontecer nos dias de hoje: (1) discípulos incrédulos, incapazes de uma intercessão eficaz; (2) pessoas vacilantes ao apresentar suas necessidades diante de Deus; (3) mas Jesus desceu de sua glória para habitar entre nós e continuar fazendo o impossível para nos libertar e dar vida em plenitude.
Qual a sua dor? Apresente-a diante de Deus na honestidade e transparência de sua pequena fé. Não tente aparentar bravura quando está quebrantado, demonstrar valentia, quando está fraco. Seja verdadeiro em sua oração. Jesus se compadece quando há real humildade em nossos corações e continua fazendo o impossível nos dias de hoje. Mesmo de maneira débil e desajeitada, simplesmente ore. Afinal, o poder da oração está em Cristo que a ouve e não em você que a faz. Descanse nisso!
'A glória que em nós há de ser revelada.'
Como nessa afirmação do Apostólo Paulo em Romanos 8-18 (Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.), tenho certeza que a glória de Deus não será comparada na vida daqueles que entregam seus caminhos nas mãos do Senhor. Pois o meu Deus é aqueles que resgata o homem, é aquele que tira o despedaça o julgo, é aquele que faz o seu filho descansar debaixo de sua asas, é seu escudo e multissímo galardão.
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